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Mudança

Em menos de um ano muita coisa mudou na minha vida. Muita coisa! Seria a curva dos 30? Os centímetros do meu corpo foram alterados, troquei de emprego, mudei o corte do cabelo (agora deu saudades das mechas californianas …) , modifiquei alguns hábitos, mudei de cidade, etc! Não farei desse texto um diário. As informações ocultas ficam por conta dos amigos.  Já dizia o russo Dostoievski: “Nas lembranças de cada homem há coisas que ele não revelará para todos, mas apenas para seus amigos. Há outras coisas que ele não revelará para seus amigos, mas apenas para si próprio, e ainda somente com a promessa de manter segredo. Finalmente, há algumas coisas que um homem teme revelar até para si mesmo, e qualquer homem honesto acumula um número bem considerável de tais coisas”.

Eu gosto de mudanças! Com elas chegam as novidades, os desafios, as oportunidades e as perdas! Se mudei foi porque perdi. Alguma coisa eu perdi no caminho. Mas acredito que, geralmente, a mudança acontece porque nos perdemos de nós mesmos. Não que mudei de Caminho! Só mudei a direção! É como diz Leon Tolstói: “Se conheço o caminho de casa e ando por ele embriagado, o caminho não deixa de ser certo simplesmente porque ando por ele cambaleante”. O Dr. Spencer Johnson, no livro Quem Mexeu no Meu Queijo?, afirma que “Se você não mudar, morrerá!”. Mudei! Deve ser por isso que não morri. O Myles Munroe já diz que “Posição não garante mudança. Novo não garante mudança. Mudança não vem por onde vamos. Se você quer mudar verdadeiramente, mude sua biblioteca, amigos e influências”. Não mudei nada disso (me desculpe, Munroe,mas entendo o que você quer dizer). Minha biblioteca continua a mesma, que por sinal AMO! Os livros me mudam. É como diz o Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Minhas influências também continuam as mesmas. Se não fossem elas … E meus amigos então? Os mesmos! De anos! De muitas histórias! De passar a senha do e-mail!

Mudança dá borboletas no estômago, risos ansiosos e muita adrenalina. Mesmo que nada seja certo. Mesmo que nada seja garantido. “Quando nada é certo, tudo é possível”, esbravejou a escritora Margareth Drabble. É por aí! E o “tudo” entende-se como TUDO mesmo! Tanto ganhos como perdas, novamente. E recomeça o ciclo! É o risco, não tem jeito! Faz algum tempo que o conselho de Brennam Manning balbucia em minha mente: “Viver sem correr riscos é correr risco de não viver”. Existe o momento de se proteger fortemente com uma armadura, como também o momento da entrega. Daí fica a minha pergunta: como fazer essa decisão na hora certa e com sabedoria? Hora certa é só com relógio mesmo, e isso quando está funcionando. Sabedoria? Essa vem do alto! Não há escolha sem perda, como não há escolha sem ganho. Em seu livro Perdas e Ganhos, Lya Luft adverte: “A vida não tece apenas uma teia de perdas, mas nos proporciona uma sucessão de ganhos. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar”.

Por mais que se tenha mudado, muitas mudanças virão. Isso é certo! Rubem Alves faz analogia com a lagarta e diz que “não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”. Gosto da palavra silenciosa! A maioria das mudanças acontece do lado de dentro. As verdadeiras mudanças são no lado de dentro.  Lugar que ninguém tem acesso.  Ninguém vê. Só eu! Fácil falar que mudou quando a percepção, para os outros, é somente externa.  Difícil é mudar e os outros notarem transformação de dentro para fora. Charles Swindoll, um dos queridos de minha biblioteca, me inspira quando diz que “a necessidade urgente hoje em dia não é de um número maior de pessoas inteligentes ou dotadas, mas de pessoas profundas”.  Será que é preciso chegar ao fundo do poço para se tornar “uma pessoa profunda”?

 
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Publicado por em 18/11/2011 em Soltos, Uncategorized

 

Entrevista com Heródoto Barbeiro

A entrevista com o jornalista Heródoto Barbeiro, que também é formado em Direito e História, estava marcada para às 9h30. Eram 9h17 de uma quarta-feira muito quente quando entrei no estúdio da Rádio CBN, em São Paulo, e pude ver e ouvir o término do Jornal da CBN. Barbeiro, que comanda o jornal há 15 anos, se preparava para dar às últimas notícias. Clésio Botelho,  chefe de produção do jornal, finalizava a última chamada. Já eram 9h26. José Paschoal Júnior, operador de áudio, me olhou com um sorriso enorme e disse: “Pura adrenalina!!”. Para finalizar o jornal, Barbeiro fez uma paródia com o episódio em que a apresentadora Hebe Camargo deu um “selinho” em Sergio Cabral, governador do estado do Rio de Janeiro. A escolha da música foi do Clésio, e o Paschoal Jr., com sua bela camisa do Bob Sponja,  soltou o hit da Claudia Leitte:  “Eu quero mais é beijar na boca …”. Foi nesse clima descontraído que Heródoto Barbeiro falou sobre Crise e Comunicação Corporativa, seu mais recente livro e quarto título da coleção CBN Livros, lançado pela Editora Globo. Confira a entrevista.

Seu livro é destinado a empresários e executivos, mas existe informação relevante aos profissionais da comunicação. A crise é geral?

A crise é inerente aos negócios. Não há possibilidade de se desenvolver um negócio sem crise. Por que razão? Pensando de maneira dialética, o sucesso contém dentro de si a crise. Então, quando uma empresa está em expansão, ela está criando, dentro dela mesma, a possibilidade de ter crises. A melhor empresa do mundo gera crise e passa por crise. Quando alguém assume a gestão de uma empresa é preciso aprender a gerir a empresa para o sucesso, mas também para nivelar, para contornar, para administrar e para resolver as crises que essa empresa vai ter.

Você deixa claro no livro que quando a corporação enfrenta uma crise ela deve ser revelada, pela própria empresa, ao seu público. Qual a melhor forma de anunciar uma crise?

Primeiro, ela deve ser revelada porque se o consumidor fica sabendo por outro veículo, ou outro canal, que não seja da própria empresa, ela perde credibilidade. A empresa estava escondendo uma informação, mas alguém descobriu e publicou. Isso é ruim. Segundo, ela precisa divulgar as informações pelos canais que estão à sua disposição do modo mais rápido possível. Se a empresa tem Twitter, site, blog, entre outros canais na internet, o primeiro local tem que ser essas mídias e esperar para ver qual será a reação do público.  Se essa comunicação nas redes sociais não for suficiente é preciso divulgar na mídia de massa (televisão, rádio, jornais, etc.). Vou dar um exemplo prático. Recentemente, a Volkswagen fez um recall da Kombi . Nesse caso, foi realizada uma comunicação através da mídia de massa porque, em uma comunicação desse porte, foi preciso atingir muita gente espalhada por várias regiões do país. Eu acho que depende do efeito da comunicação para saber se é preciso lançar mão das grandes mídias ou não.

O escritor pernambucano Nelson Rodrigues falava que vivemos em uma época dominada por idiotas. Como detectar um idiota no mundo corporativo?

É preciso averiguar em quais etapas ele pode ser identificado. Suponha que seja um idiota que atua nas mídias sociais: uma pessoa que não sabe exatamente o que está acontecendo, mas fica reproduzindo a mesma informação sistematicamente, por alguma razão, que pode ser psicológica, ou econômica ou financeira, mas fica propagando uma informação que não está correta.  Mas existe o idiota do outro lado, que é o gestor da crise, o CEO. Ele acha que pode esconder informação que é de interesse público e entende que seu argumento é mais forte do que a opinião de milhares de pessoas que estão dizendo que não é daquele jeito. Têm idiotas de um lado e de outro.

Você cita vários exemplos de mudança e situações complicadas nas empresas até chegar à conclusão de que a comunicação das corporações está em crise. As empresas têm essa consciência ou elas ainda não descobriram o caminho que precisam trilhar e as mudanças que precisam fazer?

Eu acho que elas ainda estão tentando encontrar o caminho.  Por qual razão? Essa nova tecnologia dá um poder de fogo muito grande para os seus públicos, para os seus fornecedores, clientes, moradores da região, entre outros. E proporciona também um poder muito grande para o setor de comunicação da empresa, o que exige muita rapidez e aumenta a responsabilidade do setor.  Agora eu pergunto: será que os responsáveis pela comunicação da empresa têm todo esse poder? Eles podem falar em nome da empresa? Pois a demanda é grande e é preciso responder rapidamente. Ou eu vou ter que andar em um passo mais lento, pois isso precisa ser discutido com o presidente ou o conselho da empresa? Eu acho que os departamentos de comunicação também estão em crise. Mas é sempre bom entender que crise não é sinônimo de coisa ruim, crise é sinônimo de transformação. Acredito que eles não descobriram exatamente como conviver com essa nova situação criada pela nova tecnologia da informação.

Geração Y: “Filhos de um materialismo exacerbado, são imediatistas, superficiais, ansiosos e infiéis”. Você pede para não generalizar essa definição, mas quais são as qualidades dessa nova geração no perfil antigo de empresa?

As qualidades são imensas, pois esse pessoal é o motor das transformações. São eles que promovem a transformação. Eu não estou dizendo isso agora como profeta (risos), mas na história sempre foi assim e sempre apareceram as gerações “y”. Por exemplo, no Renascimento, quando a arte era de um jeito, apareceu uma geração “y” que mudou tudo. E é assim na tecnologia, na ciência e outros ramos. Esse pessoal de vanguarda sempre existiu, mas precisa ser entendido historicamente. Nós estamos vivendo uma nova situação histórica, um momento em que o processo histórico nunca esteve tão acelerado. Se olharmos para trás e observarmos como o homem montou a primeira comunidade, nunca a história esteve tão acelerada quanto está agora. Por uma série de razões, e não só razões de ordem tecnológica, econômica, política e social, mas até mesmo de ordem filosófica, religiosa e existencial. Nunca essas questões existenciais foram tão divulgadas e, de repente, as pessoas começaram a entender que a vida é muito curta. Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro vive em média 74 anos. Quando o Brasil foi descoberto, a média de vida era de 40 e poucos anos de idade e raramente uma pessoa chegava a 70 anos. Essa nova situação que estamos vivendo é inédita no mundo, aliás, o processo histórico sempre é inédito e não se repete. Nós temos uma ideia, mas não sabemos para onde estamos indo e não podemos idealizar que o que está acontecendo agora é igual ao que aconteceu no passado. Na minha opinião, a história não é cíclica e nem na forma de um grande espiral. A história é um fluxo.  Aliás, eu tenho um artigo que foi divulgado na revista da Livraria da Cultura  chamado A História É Um Fluxo. Mas por que é um fluxo? Porque a vida humana é um fluxo. Cada momento é diferente do outro. Essa nova geração nasceu dentro da nova realidade, logo, ela tem que pensar e agir diferente dos outros porque sempre foi assim.

Com o advento da internet, o poder da informação e sua divulgação estão na mão do consumidor. Você afirma que cada vez mais as mídias sociais, antes de reunirem consumidores, reúnem cidadãos. Qual o maior desafio dos meios de comunicação com esse “novo conceito”?

Eu diria que está na mão do consumidor/eleitor/pensador/contribuinte e por aí vai. Alguns são só consumidores mesmo, mas outros são simultaneamente todos eles. À medida que esse consumidor vai adquirindo consciência, ele percebe que tem uma ferramenta de cidadania em mãos  que nunca teve antes.  É outro conceito de consumidor. Antes das novas tecnologias já havia o conceito de consumidor cidadão, na Europa principalmente. Agora, se tem o conceito do consumidor cidadão com poder de fogo na mão, que é a nova tecnologia.  No passado, se eu fosse um consumidor cidadão e percebesse que a padaria perto da minha casa estava roubando no peso, o que eu faria? Chamaria todo mundo para um boicote, que é um ato de cidadania. Hoje, se eu percebo isso, o que eu faço? Coloco no blog, no Twitter, Facebook, Orkut, e por aí vai. O meu poder de cidadania aumentou muito graças a essa nova mídia. O desafio é a mídia e as empresas sobreviverem em uma nova realidade na qual caiu o paradigma de poucas emissões e milhões de recepções. Hoje existem milhões de emissões, você e eu somos emissores, então o desafio é: como vou viver nessa nova realidade em que todo mundo é jornalista? Os meus colegas jornalistas não gostam que eu fale assim (risos), mas por que não?  O que me impede de ser jornalista? É não ter diploma? Eu respeito as regras do jornalismo, as regras éticas, mas se tenho credibilidade, o que me impede de fazer jornalismo em qualquer uma dessas mídias? Eu acho isso ótimo, é excelente. Agora, como eu, que fiz faculdade, vou sobreviver nisso? Com competência, com dedicação, com trabalho e inovação.

Muitas corporações acreditam que os jornalistas são os verdadeiros inimigos das empresas e afirmam que ele é um gerador de crise. Você contesta que é preciso derrubar esse conceito. Como?

O jornalista também é um gerador de crise. No passado, era só ele praticamente, mas agora o gerador de crise pode ser um colaborador da empresa que tem acesso a determinada informação na empresa. Por exemplo, ele pode filmar uma situação irregular e passar para alguém que insira em alguma rede social.  O inimigo agora não é mais o jornalista.  O inimigo é a incompetência, a falta de transparência, o assédio moral, entre outros.  É isso que vai impactar a marca e fazer com que ela perca credibilidade e admirabilidade.  E na hora que alguém for comprar alguma coisa ou utilizar o serviço da empresa e indagar: ‘Bom, essa marca não pertence aqueles que jogaram óleo no rio? Então, não vou comprar’. Essas faltas de critérios são os verdadeiros inimigos.

*A entrevista foi realizada no dia 8 de dezembro de 2010.

Foto: Divulgação

 
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Publicado por em 14/06/2011 em Uncategorized

 

Dando trabalho para o anjo da guarda

Mesmo não vendo as lindas asas e olhos brilhantes, assim imagino eu, sei que não era apenas um. Quantos estavam por perto e dançando ao meu redor eu não sei, mas um só não era.

Poderia ter acontecido em qualquer lugar, em qualquer rodoviária pequena de alguma cidade do interior em que todo-mundo-conhece-todo-mundo. Mas, para alegria da ansiedade e do estresse,  tudo aconteceu no Terminal Rodoviário Governador Carvalho Pinto, o maior da América Latina e segundo do mundo. Sim, porque quem lidera o ranking dos terminais rodoviários é Port Authority Bus Terminal, em New York.

O lugar em que vivenciei a presença dos anjos possui uma área de 120 mil metros e cerca de 60 mil pessoas passam por ele diariamente.  Situado na cidade de São Paulo, o lugar é mais conhecido como Rodoviária do Tietê.

Estávamos em quatro: a mala com mais de 60 quilos, a bolsa de mão, o travesseiro e eu. Meu destino era outro estado e cheguei com uma hora de antecedência do horário que estava marcado na passagem. Com um pouco mais de meia hora para o embarque, levantei calmamente e fui para o toilette. Paguei R$1,50 e fiz um único pedido: “Boa noite, moça. Por gentileza, gostaria de usar o toilette de deficiente”. Fui examinada por aqueles olhos castanhos de cima para baixo, mas logo saiu a explicação: “Preciso que o espaço interno seja maior para caber a mala, a bolsa, o travesseiro e eu, claro”. O sorriso que apareceu em seus lábios foi  deixando de lado as expressões interrogativas que estavam em sua testa, e logo me encaminhou para o lugar reservado. Deu tudo certo! Calmamente, saí direto para a plataforma de embarque.

Mas essa calma toda se foi em milésimos de segundos ao chegar no saguão de embarque. Solto a “nécessaire” de 60 quilos e minha mão direita vai em direção ao ombro esquerdo, lugar em que deveria estar a bolsa de mão. Deveria, mas não estava. É assim que começa um surto! “Esqueci a bolsa no banheiro”, gritei sozinha. Olhei para o lado e deixei a mala e o travesseiro com o primeiro ser humano que vi: “Por favor, não saia daqui! Minha bolsa ficou no banheiro. Eu já volto!”. A sensação era que as rodinhas da mala estavam no meu pé. Nunca corri tanto, nunca suei tanto.

Ofegante, mal falei com a moça simpática do  toilette. Pronto.  Lá estava ela. Intocável. Só de pensar em perder algumas preciosidades que estavam dentro dela… Não sei descrever essa sensação.

A calma se instalou novamente, mas nem deu para sentir direito. “Meu Deus, deixei a mala com um homem que não conheço”, pensei já entrando em pânico. Nunca corri tanto, nunca suei tanto.

Mais ofegante do que nunca, cheguei ao local em que deixei a mala com o homem desconhecido. E lá estava ele. Talvez fosse um dos anjos encarnados, pois sorriu quando me viu correndo ao seu encontro com a bolsa resgatada. “Muito obrigado, moço. Muito obrigado, Deus. Não tenho palavras”! “Por nada, querida”, foram as únicas palavras dele.

Os quatro novamente juntos. A mala, a bolsa, o travesseiro e eu. Os quatro visíveis, porque os invisíveis não sei quantos eram.

 
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Publicado por em 19/04/2011 em Soltos

 

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Primeiro de abril

Não era primeiro, era o segundo. O primeiro não lembro quando foi, mas o segundo foi primeiro de abril. Eles chegam quando estamos na fase adulta, quando se pensa estar madura (o).  Surgem quando tudo já está montado, funcionando, ou seja, não são necessários.

Tive a última noite com ele. Não que isso vai aumentar minha felicidade, mas viver com ele não dava mais! Amanheceu! A primeira tarefa do dia foi resolver isso. Cheguei ao dentista e, alguns minutos depois, ele disse: “É macho”. Oi?

Popularmente, ele é conhecido como “dente do juízo”.  Acho errado tirar o juízo, principalmente na fase adulta. Mas é justamente na fase adulta que ele se manifesta, e se começa atrapalhar muito, é melhor se livrar dele.

Esse é o segundo que me livro. O primeiro demorou a eternidade de 1h30, com a boca aberta e sangue jorrando. O segundo, do qual me livrei hoje, demorou a eternidade de 20 minutos.

O segundo “juízo” é, hoje, uma coisa que me falta. E isso não é mentira.

 
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Publicado por em 01/04/2011 em Devaneios

 

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Eterno até a página 12

O espanto foi imediato.  Sim, porque o natural hoje é a diversidade, a quantidade, a multiplicidade, a variedade e o que mais você lembrar de colocar nessa lista. Shakespeare já dizia que os mais fortes juramentos são palha para o fogo dos sentidos. Não me assusto mais quando fico sabendo que um casal se divorciou. Verdade. Não me espanto mais. Na verdade, parece que já é algo esperado, motivado, desejado e recomendado. Nada como o tempo e o novo, ou a mais nova, para comprovar que criaram um limite para o eterno. E para o amor.

O espanto surge quando ele fala que está casado há 42 anos. Natural da Ucrânia, sofreu com um pai alcoólatra e violento. Enquanto criança observava as outras famílias e fez uma promessa pra si mesmo: “Quero uma família diferente da minha”.  Conseguiu. Ele falando sobre sua mulher, filhos e netos é surreal; algo como aqueles filmes ridículos (ops!) de comédia romântica que no final você se consola (para quem assiste, claro!) em ser apenas um filme. Mas ele estava na minha frente e, diante dos olhos brilhantes e do autêntico sorriso, era possível quase adentrar em suas emoções e tocá-las. Eram quase palpáveis. Não sei o segredo. Acho que nem ele, pois não disse. Talvez seja o que Philip Yancey quis expressar nessa frase: “Casei-me imaginando que o amor nos manteria unidos. Em vez disso, aprendi que precisava do casamento para ensinar-me o que significa o amor”.

 
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Publicado por em 16/02/2011 em Amor

 

Por todos os lados

Sentar e ouvir o barulho da chuva caindo levemente nas folhas como se fosse uma canção.

Levantar, tomar café à mesa que está em frente à janela e ser surpreendida pela visita de um passarinho que, rapidamente, come o farelo do pão e volta para o seu vôo.

Colher acerola no pé, ficar toda arranhada por causa dos seus finos galhos e ainda ficar com dúvida de qual é a mais vermelha.

Estar entre as árvores, encontrar com um lagarto e não ter medo. Ele fugiu. Só queria um pouco d’água.

Subir a montanha sob sol escaldante, mas esquecer do suor escorrendo na pele porque as flores no caminho chamavam toda a atenção para elas.

Ouvir histórias antigas, rever lugares passados, reencontrar velhos amigos.

Ser surpreendida pela devastação, e ser mais surpreendida ainda por uma árvore com suas flores amarelas em meio à devastação.

Ter tempo para nadar, para brincar com os pequenos, de fazer algo pelo outro, de andar de bicicleta e de descobrir uma nova rota.

Ah, o Amor. Ele está por todos os lados.

 
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Publicado por em 12/02/2011 em Uncategorized

 

Acertando os pontos

As reticências são aqueles pontinhos omissos e (in)voluntários carregados de palavras escondidas. São apenas três pontos que valem por incontáveis caracteres (in)existentes.

A vírgula separa e isola. Ajuda muito na compreensão da frase e do texto em seu contexto. É preciso cautela no uso da vírgula, pois pode dificultar a compreensão. Mas, contudo, porém, todavia,sozinhos são os que ficam entre vírgulas.

Entretanto, a vírgula não é forte o suficiente para separar o assunto. É quando entra o ponto-e-vírgula, querendo sempre fechar o assunto. É preciso um ponto-e-vírgula pra dizer que pode se separar ainda mais; mais ainda.

Dois- pontos sinalizam esperança. Sempre depois dele tem uma ideia nova, uma citação de alguém, uma novidade, um esclarecimento, uma síntese. É melhor dois do que um.

O ponto de exclamação é o grito preso na garganta. “Se eu realmente gritar vão achar que sou louca; melhor me conter”. Pode ser um grito de prazer, de ironia, de dor, de surpresa, de raiva, de espanto, de indignação, ou qualquer que seja o motivo do brado iminente, o importante é parecer normal para uma sociedade nem sempre normal.

Que sinal gráfico que nada, a interrogação está mais para uma incógnita, um problema, uma equação do segundo grau. Revela nossas neuroses mais escondidas, demonstra nossa pequenez diante da vida e nos faz acreditar que o que faz o mundo “andar” são as perguntas e não as respostas.

As aspas têm duplo sentido. Ou triplo. Ou expõe aquilo que você não “sabe” e que precisa citar “alguém”, ou precisa de “alguém”.

O travessão deveria ter outro nome. Ele marca o início de uma nova oração, de um novo tempo, de um diálogo, mas não uma travessia.

Parênteses  para explicar o que não se conseguiu dizer.

O ponto final mostra que uma frase com sujeito, verbo e complemento chegou ao fim.   Não é uma mera pausa; é uma pausa total. É o fim do verbo. O término do sujeito. O encerramento do complemento. Mas depois do ponto vem outra frase, e depois outro ponto, e depois outro sujeito, e depois outro verbo, e depois outro predicado que afirme ou negue algo sobre o sujeito. Claro, o predicado depende do tipo do sujeito que pode ser simples sem ser simplista, composto sem ser dúbio, oculto sem ser distante e indeterminado sem ser hesitante.

 
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Publicado por em 28/11/2010 em Devaneios

 

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