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Arquivo da categoria: Amor

Eterno até a página 12

O espanto foi imediato.  Sim, porque o natural hoje é a diversidade, a quantidade, a multiplicidade, a variedade e o que mais você lembrar de colocar nessa lista. Shakespeare já dizia que os mais fortes juramentos são palha para o fogo dos sentidos. Não me assusto mais quando fico sabendo que um casal se divorciou. Verdade. Não me espanto mais. Na verdade, parece que já é algo esperado, motivado, desejado e recomendado. Nada como o tempo e o novo, ou a mais nova, para comprovar que criaram um limite para o eterno. E para o amor.

O espanto surge quando ele fala que está casado há 42 anos. Natural da Ucrânia, sofreu com um pai alcoólatra e violento. Enquanto criança observava as outras famílias e fez uma promessa pra si mesmo: “Quero uma família diferente da minha”.  Conseguiu. Ele falando sobre sua mulher, filhos e netos é surreal; algo como aqueles filmes ridículos (ops!) de comédia romântica que no final você se consola (para quem assiste, claro!) em ser apenas um filme. Mas ele estava na minha frente e, diante dos olhos brilhantes e do autêntico sorriso, era possível quase adentrar em suas emoções e tocá-las. Eram quase palpáveis. Não sei o segredo. Acho que nem ele, pois não disse. Talvez seja o que Philip Yancey quis expressar nessa frase: “Casei-me imaginando que o amor nos manteria unidos. Em vez disso, aprendi que precisava do casamento para ensinar-me o que significa o amor”.

 
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Publicado por em 16/02/2011 em Amor

 

O noivo, o padrasto e a noiva

O noivo já estava no altar. Lindo. Pronto. Ansioso para ver a bela entrar pela porta da igreja e percorrer o longo corredor naquele tapete vermelho cheio de pétalas de rosas brancas. A música tocada pela orquestra aprimora o clima romântico e alimenta a alma dos convidados com a eterna esperança de que serão ‘felizes para sempre’. Tudo no seu devido lugar. Até que o noivo sai do seu posicionamento tradicional (parado, lá na frente, suando e esperando a noiva chegar – nem um pio, nem um passo). Sai em direção à porta, pisando no aveludado tapete vermelho e naquelas frágeis pétalas, e começa a gritar: “Se ele entrar não caso. Se ele entrar vou embora”.

Ele quem, cara pálida? Não é ela? O espanto da platéia é geral com a pergunta estampada nos olhos arregalados: ‘Alguém sabe o que está acontecendo?’ Enfim, tudo sai do lugar. O ambiente angelical se torna angustiante e desconcertante. Tudo culpa do padrasto. Sim, a noiva ia entrar com o padrasto e não com o pai (assunto particular da noiva que desconheço, pulo essa parte). A noiva fazia questão de entrar com ele. O padrasto se sentia honrado em entrar com a noiva. E o noivo já estava indo embora … Não bastasse o noivo sapateando no tapete vermelho, e a noiva chorando em ter que decidir entre dois homens, eis que surge a mãe do noivo. Sai do seu tradicional lugar e vai ao encontro do filho naquele vasto corredor, e diz: “Dá tempo, meu filho. Dá tempo de desistir. Eu te levo pra qualquer lugar que você queira. Vamos? Ainda dá tempo!” Se a noiva ouviu eu não sei, só sei que ela escolheu o filho da futura sogra, e o padrasto teve que se contentar em ficar do lado de fora da igreja.

 
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Publicado por em 13/07/2010 em Amor