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Arquivo da categoria: Devaneios

Primeiro de abril

Não era primeiro, era o segundo. O primeiro não lembro quando foi, mas o segundo foi primeiro de abril. Eles chegam quando estamos na fase adulta, quando se pensa estar madura (o).  Surgem quando tudo já está montado, funcionando, ou seja, não são necessários.

Tive a última noite com ele. Não que isso vai aumentar minha felicidade, mas viver com ele não dava mais! Amanheceu! A primeira tarefa do dia foi resolver isso. Cheguei ao dentista e, alguns minutos depois, ele disse: “É macho”. Oi?

Popularmente, ele é conhecido como “dente do juízo”.  Acho errado tirar o juízo, principalmente na fase adulta. Mas é justamente na fase adulta que ele se manifesta, e se começa atrapalhar muito, é melhor se livrar dele.

Esse é o segundo que me livro. O primeiro demorou a eternidade de 1h30, com a boca aberta e sangue jorrando. O segundo, do qual me livrei hoje, demorou a eternidade de 20 minutos.

O segundo “juízo” é, hoje, uma coisa que me falta. E isso não é mentira.

 
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Publicado por em 01/04/2011 em Devaneios

 

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Acertando os pontos

As reticências são aqueles pontinhos omissos e (in)voluntários carregados de palavras escondidas. São apenas três pontos que valem por incontáveis caracteres (in)existentes.

A vírgula separa e isola. Ajuda muito na compreensão da frase e do texto em seu contexto. É preciso cautela no uso da vírgula, pois pode dificultar a compreensão. Mas, contudo, porém, todavia,sozinhos são os que ficam entre vírgulas.

Entretanto, a vírgula não é forte o suficiente para separar o assunto. É quando entra o ponto-e-vírgula, querendo sempre fechar o assunto. É preciso um ponto-e-vírgula pra dizer que pode se separar ainda mais; mais ainda.

Dois- pontos sinalizam esperança. Sempre depois dele tem uma ideia nova, uma citação de alguém, uma novidade, um esclarecimento, uma síntese. É melhor dois do que um.

O ponto de exclamação é o grito preso na garganta. “Se eu realmente gritar vão achar que sou louca; melhor me conter”. Pode ser um grito de prazer, de ironia, de dor, de surpresa, de raiva, de espanto, de indignação, ou qualquer que seja o motivo do brado iminente, o importante é parecer normal para uma sociedade nem sempre normal.

Que sinal gráfico que nada, a interrogação está mais para uma incógnita, um problema, uma equação do segundo grau. Revela nossas neuroses mais escondidas, demonstra nossa pequenez diante da vida e nos faz acreditar que o que faz o mundo “andar” são as perguntas e não as respostas.

As aspas têm duplo sentido. Ou triplo. Ou expõe aquilo que você não “sabe” e que precisa citar “alguém”, ou precisa de “alguém”.

O travessão deveria ter outro nome. Ele marca o início de uma nova oração, de um novo tempo, de um diálogo, mas não uma travessia.

Parênteses  para explicar o que não se conseguiu dizer.

O ponto final mostra que uma frase com sujeito, verbo e complemento chegou ao fim.   Não é uma mera pausa; é uma pausa total. É o fim do verbo. O término do sujeito. O encerramento do complemento. Mas depois do ponto vem outra frase, e depois outro ponto, e depois outro sujeito, e depois outro verbo, e depois outro predicado que afirme ou negue algo sobre o sujeito. Claro, o predicado depende do tipo do sujeito que pode ser simples sem ser simplista, composto sem ser dúbio, oculto sem ser distante e indeterminado sem ser hesitante.

 
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Publicado por em 28/11/2010 em Devaneios

 

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Do Avesso

O avesso é todo desalinhado.

Vire uma peça de roupa do avesso e veja se tem coragem de usar.

Coragem até que possa ter… difícil é encarar a opinião de outrem.

Contrário, hostil.

O lado de fora é oposto do avesso.

Oposto ao quê? O lado de fora é o certo? É o bonito? É o que vale?

Talvez.

Talvez sim, talvez não.

Vire o ser humano do avesso e veja se tem coragem de amar.

Coragem até que possa ter… difícil é encarar a mazela do outro que verá.

Contrário, hostil. Mau.

O lado de fora é oposto do avesso.

Oposto a quem? O lado de fora é o certo? É o bonito? É o que vale?

Depende.

Depende do que vejo do lado de dentro, e o que escondo com o lado de fora.

 
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Publicado por em 30/08/2010 em Devaneios

 

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Ponto final

O ponto final está no começo.

No início das relações humanas, sem resoluções, sempre nos começos e recomeços.

Enquanto estivermos submergidos nesse mar de relações, não conseguiremos colocar os pingos nos ‘is’, nem achar a equação do amor, tão pouco a fórmula da vida feliz.

O acaso vai continuar com suas boas e más surpresas.

Continuaremos a olhar a vida com suas belezas e ainda assim questioná-la sobre seu sentido.

O ponto final no começo da vida diz que algo já está pronto e que não precisa ser editado o que já foi escrito; e que finalizado está.

O ponto final no início nos permite (re)escrever o inacabado, o incontrolável, o imprevisível.

Permite colocar o ponto final da história que ainda escrevo.

 
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Publicado por em 05/08/2010 em Devaneios